
Moda, música e identidade se encontram em “Mundo Fashion”, novo videoclipe de TZ da Coronel em colaboração com Matuê, com lançamento marcado para esta quarta-feira (21), às 21h. A faixa antecipa Lado Mau, aguardado novo álbum do rapper carioca, e apresenta uma estética que reflete seu amadurecimento como artista em vários sentidos.
Para entender o processo criativo por trás dessa nova fase, conversamos com Daniele Fernandes, stylist que trabalha com TZ há quase quatro anos e é responsável por construir, ao lado do artista, uma identidade visual cada vez mais conectada ao universo da moda. Responsável pelo styling de TZ e das modelos no clipe, Dani fala sobre suas referências, a relação com o rapper, signos e mais desafios durante o processo criativo.
1. Moda, música e identidade: o ponto de partida do styling
Daniele Fernandes:
Quando falamos de um projeto dessa dimensão, que envolve capas de álbum, editoriais de divulgação, videoclipes e teasers, acredito que música, conceito visual e personalidade precisam caminhar juntos, com a mesma intensidade e coerência. São elementos que se complementam e que, quando bem alinhados, constroem uma narrativa visual capaz de traduzir a mensagem do artista e estabelecer uma conexão genuína com o público.
Mas, para mim, o ponto de partida será sempre a identidade de quem estou vestindo. A personalidade, a trajetória e a essência do artista são fundamentais para direcionar minhas escolhas criativas. É a partir dessa compreensão que transformo referências em silhuetas, texturas, proporções e composições que fazem sentido dentro daquele universo.
Acredito que o styling não deve apenas criar uma imagem impactante, mas construir uma identidade visual autêntica, consistente e reconhecível. Porque, mais do que acompanhar uma estética ou uma tendência, meu trabalho é potencializar aquilo que o artista já é, traduzindo sua essência em uma linguagem de moda que tenha força, verdade e permanência.

2. A construção estética de “Mundo Fashion” e o encontro entre TZ e Matuê
Daniele Fernandes:
O próprio nome da música, “Mundo Fashion”, já nos dá uma direção muito clara sobre o universo que queríamos explorar. O figurino precisava fazer parte dessa narrativa, traduzindo uma estética que venho desenvolvendo com o TZ há anos, marcada por força, ousadia, personalidade e poder. Existe um trabalho contínuo de construção e evolução da imagem dele, e cada novo projeto é uma oportunidade de ampliar essa linguagem, explorar novas possibilidades e reafirmar sua identidade dentro da moda.
Neste videoclipe, fui responsável pelo styling do TZ e das modelos, enquanto o Matuê contou com seu próprio stylist. Meu papel nessa conexão foi contribuir para um direcionamento visual que estabelecesse uma unidade estética entre os artistas, respeitando a individualidade e a linguagem de cada um.
E acredito que isso aconteceu de maneira muito natural, justamente porque estamos falando de dois artistas que têm uma relação genuína com a moda e que entendem a imagem como uma extensão de sua expressão artística. Não precisávamos torná-los visualmente semelhantes, mas fazer com que suas identidades coexistissem dentro de um mesmo universo criativo.
Para mim, a força desse projeto está justamente nesse equilíbrio: construir uma imagem coletiva impactante sem abrir mão da autenticidade de cada artista.

3. O significado das máscaras e sua relação com o álbum
Daniele Fernandes:
Apesar da semelhança visual, o Fantasma da Ópera não foi uma referência para a criação das máscaras. Elas surgiram a partir do conceito do álbum LADO MAU, com a intenção de materializar essa narrativa em um elemento visual forte, simbólico e facilmente reconhecível.
A ideia era que a máscara representasse a ativação desse outro lado, como se, ao colocá-la, o artista assumisse uma nova faceta dentro do universo do projeto. Mais do que um acessório de figurino, ela foi pensada como um código visual, capaz de comunicar uma mensagem sem a necessidade de palavras.
Acredito muito na força desses elementos dentro da construção de uma identidade artística. Quando um objeto deixa de ser apenas estético e passa a carregar um significado, ele se torna parte da linguagem e da memória visual de um projeto.
4. Quase quatro anos construindo a imagem de TZ da Coronel
Daniele Fernandes:
Estamos juntos há quase quatro anos, e desde a nossa primeira reunião o TZ já demonstrava um interesse genuíno por moda. Isso foi fundamental para construirmos uma relação que vai muito além da escolha de roupas.
Acredito que uma parte essencial do meu trabalho está no diálogo e na troca de conhecimento. Não basta apresentar uma peça ou propor uma tendência; gosto de contextualizar, explicar referências, apresentar novas narrativas, discutir coleções e ampliar o repertório visual do artista. Estamos em comunicação constante, acompanhando o que acontece na moda globalmente e entendendo como esses movimentos podem dialogar com a identidade dele.
O TZ é extremamente participativo nesse processo. Ele questiona, procura entender as propostas e demonstra uma curiosidade que considero muito valiosa. Seus questionamentos não surgem de uma resistência ao novo, mas de uma vontade genuína de compreender e absorver conhecimento. Isso torna nossa troca muito rica e permite que as decisões criativas sejam construídas em conjunto.
Ao longo desses anos, fomos desenvolvendo essa identidade visual de maneira gradual, estratégica e muito consciente. Nunca tive a intenção de transformar o TZ em alguém que ele não é, mas de ampliar as possibilidades estéticas de quem ele sempre foi. Existe uma responsabilidade muito grande quando trabalhamos com a imagem de um artista que já possui uma identidade consolidada e uma conexão tão forte com seu público.
Por isso, cada movimento foi pensado para que essa evolução acontecesse de forma orgânica, preservando suas origens, sua essência e o reconhecimento dos fãs, ao mesmo tempo em que abríamos espaço para uma imagem cada vez mais sofisticada, ousada e conectada ao cenário internacional da moda.
Para mim, o maior resultado desse trabalho não está apenas na transformação visual, mas na construção de uma identidade que evolui sem perder sua autenticidade.
5. O amadurecimento visual de TZ e os próximos caminhos de sua imagem
Daniele Fernandes:
Acredito que esse clipe revela um momento de amadurecimento e consolidação de uma identidade visual que construímos cuidadosamente ao longo dos últimos anos. Hoje, o TZ não apenas veste moda, ele compreende a força que ela tem como ferramenta de comunicação e expressão artística. Existe uma consciência estética muito maior, que se reflete na maneira como ele se posiciona, experimenta e se relaciona com a própria imagem.
Nesse novo momento, exploramos estruturas, texturas, volumes e sobreposições, muitas vezes a partir de construções mais limpas, mas que carregam uma intenção estética muito forte. Gosto desse contraste entre a sofisticação e a ousadia, entre o impacto visual e a naturalidade com que ele sustenta cada proposta.
O que considero mais interessante é perceber que hoje essa linguagem faz parte dele de maneira muito orgânica. Não existe mais a necessidade de apresentar a moda como algo novo em seu universo, porque ela já está incorporada à sua identidade.
Para mim, esse clipe representa justamente isso: um artista que amadureceu visualmente, que se permite explorar novas possibilidades e que consegue transitar por uma estética cada vez mais fashionista sem abrir mão de suas origens e de sua personalidade.
Acredito que a verdadeira evolução de imagem acontece quando a moda deixa de parecer uma transformação e passa a ser reconhecida como uma extensão natural de quem você é.