Deadbeat: a linda e constante metamorfose de Tame Impala

5 anos depois do lançamento de The Slow Rush, Kevin Parker retorna com um de seus trabalhos mais intrigantes até aqui.

Deadbeat marca mais um capítulo na trajetória de um artista que nunca se contentou em seguir fórmulas. Enquanto parte da crítica tenta reduzir o disco, Parker reafirma o instinto que sempre moveu o Tame Impala — o de não se repetir. A capa traz sua filha e já nos revela um dos símbolos mais diretos dessa nova fase: uma mistura de fragilidade e renascimento que atravessa todo o projeto.

O novo álbum não é sobre nostalgia nem sobre agradar. É sobre movimento. Parker mergulha em um novo universo sonoro, aproximando-se do techno, do trance e do ambiente dos clubs, mas ainda sem abandonar a melancolia e a profundidade que sempre formaram sua música. A pista aqui não é fuga: é confissão. 

As letras revelam alguém em um estado de transição e vulnerabilidade. Em Obsolete, ele chora um amor que já não é mais o mesmo, enquanto em My Old Ways encara o peso das recaídas em sua forma mais crua. Aqui, de fato, Parker quer falar sobre tristeza. Entre turnês e casa, entre o palco e a paternidade, entre euforia e exaustão, ele transforma contradição em matéria-prima. Há culpa, há reflexão, mas também há uma liberdade nova, que faz do corpo o veículo de expressão. Deadbeat é o som de quem entende que amadurecer também é aprender a dançar diferente.

Mais do que um retorno, o álbum de 11 faixas é um lembrete da força criativa de Kevin Parker: um artista que constrói e destrói o próprio caminho para continuar evoluindo. 


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